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O curioso beicinho do ex-rei.

Vocês conhecem a história daquele “tiozinho” que, depois de passar anos trabalhando num mesmo cargo, se aposenta e passa - devido a inatividade - a azedar bravatas sobre o seu substituto?! Pois é, esse mesmo senhor, que por anos ficou centralizado sob as luzes do poder, apequena-se num mundo novo, onde sua fama e suas transloucadas idéias soam como vozes inauditas pelos demais. Esse ciclo de troca do poder, onde a cadeira de rei de hoje será ocupada por uma nova majestade amanhã, muitas vezes produz um instinto depressivo em quem perde a coroa e fica resmungando do novo sucesso no reinado. Não adiantam os chiliques da elite inconformado por essa troca, não adianta os que apelam por qualquer motivo para desqualificar o novo Rei, o sucesso está nas ruas, na aprovação dos súditos ao novo monarca, de uma forma simples, cristalina, daqueles que sempre sofreram com a pobreza, mas que, pelo menos agora, vêem uma saída para suas dificuldades.

O novo rei, aliás, poderia ser mais poderoso se cumprisse de fato com o que prometia em suas subidas ao palanque: falta maior investimento em educação e, principalmente, em saúde; mas, pelo menos agora as coisas estão - mesmo que vagarosamente - andando. As universidades federais percebem o investimento melhor em pesquisas científicas, com apoio de empresas estatais em projetos de suma importância para o desenvolvimento do país, abrindo espaço para o crescimento dos jovens pesquisadores. O campo diplomático brasileiro nunca foi tão valorizado, o país nunca foi tão respeitado lá fora e visto (quase) de igual para igual com grandes potências de outrora. Mas isso passa em branco em mentes cegas de quem quer enxergar aquilo que interessa. Aí não há argumentos para gastar nesse humilde blog que faça a pessoa pensar ao contrário - nem pretendo isso, na verdade. Cada um segue suas idéias. Só acho curioso é que, em grande parte das vezes, o argumento para desqualificar o atual monarca seja o escracho de um sujeito simples, oriundo de um trabalho braçal, mas que chegou ao poder com toda limpeza que uma democracia proporciona. Isso não importa, o que vale, na verdade, é o inverso da lógica do time de futebol. Vamos a ela:

Suponhamos que um torcedor do América do Rio veja as eleições para a presidência do clube se aproximarem. Ele, como todo fanático, tem seu candidato de preferência por “n” motivos. Só que, pelo fato de ser uma eleição democrata, ele percebe a derrota do seu candidato e, mais que isso, a vitória do sujeito que ele menos gostaria. Pronto, está tudo acabado. Ele não mais torcerá para seu clube, deixará de ir aos estádios, e mais, torcerá para que o América permaneça no submundo do futebol brasileiro, certo? Claro que não, independente das questões políticas, ele será fiel ao seu princípio de ligação ao clube, torcendo para o sucesso daquela nova gestão, mesmo que para isso, lá na frente e de volta a elite do futebol nacional ela reconheça: É, o presidente fez um ótimo trabalho e merece continuar no cargo!

Tracei esse paralelo mesmo percebendo que os sentimentos entre política e futebol, apesar de algumas semelhanças, são de intensidades diferentes. Até confesso, não sou hipócrita, que quando um candidato está no poder, contra meu gosto pessoal, procuro muito mais os defeitos do que reconhecer as qualidades, acredito, inclusive, que isso seja natural do ser humano. Só não entendo, caros amigos, como os argumentos de pessoas esclarecidas, vão ao limbo para desqualificar o rei e seus pares. A falta de razão se mistura com um sentimento infantil de desqualificar por desqualificar. Argumentos completamente irracionais sobem ao tabuleiro das relações cotidianas e até assustam pelas palavras impensadas. Coisas do tipo: “metalúrgico no poder?! Argh...”; “fizeram filme para homenageá-lo, já ta querendo eleger a Dilma”; “nove dedos em reunião da ONU, que vergonha pro Brasil”; outro que ouvi de um senador do DEM, no programa “Pânico, da Rede TV”: “esse senhor faz aniversário?!...risos de deboche”; ou, “ele podia morrer de gripe suína, ou ser assassinado no carro aberto“... Esse desqualificar por desqualificar é até engraçado quando vem de pessoas humildes, sem instrução, que falam até sem maldade certas coisas, até por se sentirem excluídas da sociedade e saberem que ninguém ouvirá (ou levará a sério) aquelas palavras; mas têm pessoas que você até se assusta quando ouve coisas desse tipo...

E por fim, até para encerrar esse já longo texto, me arrepio com o ex-presidente FHC, sobre o governo atual. Ele tem todo o direito de criticar e até certa razão em alguns pontos de vista, mas é de um rancor tremendo que chega a dar dó. A última coluna do ex-presidente que li no O GLOBO de domingo, foi de uma mágoa daquela criança que era a mais querida da turma, mas vê entrar na sala um novo colega que ofusca todo seu sucesso. Fica na minha idéia, um senhor que governou o país por oito anos, escrevendo artigos com um beicinho inconsolável, dentro de seu amplo apartamento em Paris, dando goles em vinhos que nunca beberei, soluçando em palavras estrangeiras, inconformado com os números de aprovação do sucessor e tentando desqualificar o atual governo a qualquer custo. Um papelão para um senhor que poderia, pelo menos, manter uma classe aparente. Como diz Paulo Henrique Amorim em seu blog: “A inveja tem a vantagem de corroer o invejoso por dentro.”

Comente a vontade e fique sempre com sua opinião.

O que se vê e o que se lê.

Estou cansado de assistir esses telejornais chapa-branca. Todos seguem o mesmo modelo global de passar as notícias e têm uma linha editorial para lá de comprometida com alguns interesses. O pior é ouvirmos um discurso imparcial, de um jornalismo limpo, que só é feito para retratar o que de fato acontece, sem qualquer tipo de interesse. Está bem, vá contar essa ladainha em outro terreiro, aqui não. Mas o que de fato me deixa estupefato é pelo formato único de ser. Se prestarmos atenção, parece que todos os jornais, das mais diversas emissoras, são uma cópia do JN global, uns mais parecidos, outros menos. A velocidade da notícia é a mesma, a falta de reflexão também se assemelha, enfim, um faz-de-conta com estruturas (quase) idênticas.

E a velocidade das notícias?! Já perceberam como não conseguimos fixar uma notícia sequer depois que os telejornais terminam?! Elas são feitas numa velocidade tal, com pouca duração e seguidas por outras notícias, que mal dá tempo do telespectador refletir e tentar tirar sua própria conclusão sobre o que é noticiado. O tempo na Tv é tudo. Se uma questão está sendo retratada de maneira interessante, com entrevistados que de fato acrescentam informações ao que se noticia, gerando uma discussão com vários pontos de vista, mas, se por outro lado, o tempo está chegando ao fim, tenham certeza, não há boa informação (ou discussão) que resista, o repórter será obrigado, através do ponto eletrônico, a interromper aquele momento, para o jornal não sair do seu formato quadrado. Aprofundar demais não é interessante, afinal de contas, o jornal precisa ir para o seu breve intervalo, e colocar em evidência seus anunciantes...

E o olhar crítico do jornalista que apresenta o telejornal? Quantos já não foram os casos de jornalistas que foram demitidos por fugirem ao script e opinar sobre determinado assunto?! Quem não se lembra do caso do jornalista Jorge Kajuru que, ao criticar o atual governador de Minas Gerais, Aécio Neves, antes de um jogo do Brasil contra Argentina, em Belo Horizonte, foi demitido ao vivo na Band, com o programa ainda no ar. O bem assessorado governador teria ligado para a emissora e pedido a cabeça do jornalista. Pedido feito, pedido atendido.

Kajuru, inclusive, é uma figura que tive a oportunidade de conhecer aqui na Granja Comary, em Teresópolis, em 2003. Tive o prazer de entrevistá-lo para a rádio da faculdade e ver de perto sua indignação com o fazer jornalismo no Brasil. Só como um lembrança rápida, o polêmico Kajuru, a certa altura da entrevista comparou: - O mundo do jornalismo é mais sujo que o das prostitutas, com todo respeito as prostiturtas - enfatizou. Essa frase nunca mais saiu da minha cabeça e os anos que se passaram entre universidade e experiências profissionais me fizeram perceber as coisas com outros olhos.

Enfim, amigos leitores do ESCONDIDIN, hoje não tenho paciência de ver muitos formatos "perfeitos" da impressa brasileira. Procuro me manter informado através de rádio, internet e algumas revistas que ainda contam um outro lado da história, como "Caros Amigos" e "Carta Capital". Não consigo ler uma VEJA sem perceber que ISTO É comprometida com alguns interesses. Acho que não é ÉPOCA de convivermos com um jornalismo desse tipo, onde se levanta uma bandeira sem assumi-la. Estou cansado desses formatos, mas, obviamente, respeito os que pensam diferente.

Aproveitem esse espaço para deixarem suas opiniões, concordarem e discordarem com esse blogueiro que vos escreve.

Fiquem à vontade.

Fim da linha - para a enquete.

É povo blogueiro, cá estou eu novamente. Depois de um período mergulhado na rotina dos concursos e outras cositas más, resolvi voltar para dar o ar da graça e ver como ficou a enquete depois de encerrada. [As observações que se seguem serão breves, pois esse blogueiro está com a mão direita imobilizada: cai de bicicleta por esses dias, mas deixa essa prosa pra depois,que a lembrança a torna ainda mais patética].

Como afirmei nas primeiras linhas, a enquete lançada pelo DATAESCONDERIJO chegou ao fim. Do universo dos 23 votos recebidos, a “violência nas grandes cidades” ganhou como principal preocupação daqueles que se escondem por aqui - foram 15 votos, ou 65% do total. Nenhuma surpresa em se tratando de pessoas que, em sua maioria, vivem nos grandes centros urbanos do país e já se acostumaram em viver na rotina do medo.

Outro fato que me chamou a atenção - mas não causou surpresa - nessa enquete é que somente duas pessoas votaram na eliminação da Argentina como uma preocupação. Pouco preocupados ou não, o certo é que los hermanos estarão no mundial, mesmo sendo dirigidos por um descontrolado Dieguito.

Quem também esteve na rabeira da votação, com os mesmos dois votos - ou 8% do total - foi uma brincadeira que lancei nessa enquete: Uma possível candidatura do goleiro do São Paulo, Rogério Ceni à presidência da República. Quis colocar essa opção como uma das alternativas porque acho o astro tricolor um político de marca maior, no mal sentido. Apesar de não o conhecer pessoalmente, vejo a figura como daquelas que - globalmente falando - adora fazer parte dos circos televisivos, inflamando palavras e filosofias para impressionar os impressionáveis. Acho-o uma mala, pronto. Bem, essa é uma impressão pessoal e, pelo visto, não foi compartilhada com quem votou. Tudo bem, espaço para o desencontro de idéias, encaro como uma qualidade, democracia de fato.

Mas é isso, mais cedo ou mais tarde, sem um motivo ou data especial, uma nova enquete surgirá nesse humilde e escondido blog. Espero que continuem visitando e, mais que isso, que comentem e façam um blogueiro feliz.

Deixe-me ir que o pulso direito já está reclamando...

Divagando...

Andei contra o vento, contra tudo, contra todos. Enrijeci o rosto com uma força tremenda para continuar. Os músculos responderam cansados, mas estavam ali. Essas marcas que aparecem são os momentos da vida cravados na pele, uma tatuagem sem escolhas. Passei por ruas desertas, calmas e turbulentas. Lá no final há uma surpresa gratificante - que ainda não conheço. Precisei da ajuda de amigos, de parentes; daquelas pessoas que nos apoiamos para continuar em pé.

Mas a luta é solitária, mesmo que amparada por eles. Os passos vão fincando o registro de uma vida que se forma. Vejo crianças sonhando, brincando; curtindo um mundo maravilhosamente inexistente. Se elas soubessem como as coisas são difíceis... Deixe-as curtir esse momento único - briguei comigo - do imaginar coisas que o sonho proporciona; já vivi essa fase e, confesso, é maravilhoso.

Hoje sou um pouco mais rude, mais matemático, exato nas ações e pensamentos. Só no escrever e no amor que deixo minha alma voltar ao universo utópico. É bom desgarrar da rotina e levar você comigo nessa viagem divagadora. Com esse poder podemos imaginar um mundo mais justo, mais feliz e realizador. Nesse momento não há espaço para desigualdades, pobrezas e preconceitos. Cada um faz sua história de uma maneira milagrosamente pessoal.

E você, caro amigo leitor dessas linhas, se tivesse o poder de desenhar (escrever) seu destino, por onde começaria?


Aguardo (ansioso) seu comentário.

Páginas de papel e os sentidos.

Não há nenhuma novidade no que acabo de constatar, mas é algo que vale como reflexão, pelo menos: Agora mesmo que destilo o veneno por essas linhas, tenho - em outras abas do navegador - um jornal aberto, um site de um concurso que irei prestar, meu e-mail ansioso a espera de alguma novidade, além do twitter também logado e do msn que não para de ver novos usuários online, ocupados, ausentes... E eu aqui, no meio desse turbilhão de informações agindo como o ser mais tranquilo do mundo, concentrado que só eu...

Mas é interessante como nos adaptamos a essas novas formas de nos relacionar com as coisas e suas incansáveis novidades. Estamos sempre aptos para o novo, mesmo que para isso tenhamos que abdicar de velhos hábitos. O curioso é notar que a cada dia estamos expostos e dispostos a ocupar todos os nossos sentidos. Nesse momento, por exemplo, não paro no teclar das letras; minha vista mal pisca diante da claridade do monitor - e protegida pelos óculos; ouço o teclar das letras e a rádio CBN aberta em outra aba do navegador; só não há tempo para sentir cheiros e nem para tirar o amargor da boca. É muita coisa para uma pessoa só! Mas acredito que, aos poucos, as crianças vão nos superando nesses quesitos, o que não vem a ser uma qualidade, é verdade.

Se compararmos com as sensações que o livro proporciona(va), então... a internet e suas ferramentas são muito mais atraentes para mentes plugadas 24 horas no mundo tecnológico. O que dizer das simples folhas sem figura, que se sucedem num emaranhado de páginas de igual formato, mesmo tamanho de letra, sem um atrativo a mais, um plus que leve a outros mundo, como faz a internet - no livro nem há links para figuras, não é mesmo?

Tudo bem, os argumentos são fortes a favor do virtual, mas e se eu disser que prefiro o bom e velho amigo das páginas de papel. Crucificado serei? Pode ser, mas lá há um mundo imaginário a ser desvendado, inigualável no mundo colorido e ultra-pós-moderno do universo digital. Naquele livro com cheiro de guardado, há uma infinidade de possibilidades de uma mesma história. Cada um imagina seu personagem, cada um desenha seu cenário e imagina como o autor conseguiu pensar numa história tão bem bolada! Lá há espaço para devaneios incríveis - que esse que vos escreve tanto gosta, para uma fidelidade impossível de se encontrar nos mais criativos e atraentes sites.

Desculpem-me os que discordam dessas saudosas palavras - e fiquem à vontade para discordar, mas o que relato para vocês não é uma mágoa de quem vê seu amor envelhecendo e sendo subistituído por uma nova beldade escultural, trata-se apenas de um sentimento construído nesses um quarto de século de minha vida. Acredito no novo e na criatividade que a internet e suas ferramentas proporcionam, mas não abandono o velho estilo de inventar um mundo meu, por linhas de um outro autor. Há espaço para tudo e para todos. Fico por aqui com essas linhas digitais e volto ali para a mesa, me entregando àquele ópio de papel e linhas que precisa ser terminado de ser consumido.



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